sexta-feira, 7 de junho de 2013


        




Meus primeiros passos no mundo da leitura...

  
            Há pouco tempo deparei-me com um seriado norte-americano, "Human Target": "Alvo Humano". Fiquei curioso, pois o título fez-me recordar uma das primeiras histórias em quadrinhos que li; tinha sete anos na época e sequer tinha terminado o primeiro ano do  ensino fundamental. Estava em um gibi do Superman no qual havia uma coletânea de diferentes histórias. Aquela que mais me marcou  era a da personagem Christopher Chance; entre tantos heróis com poderes ou habilidades especiais, Chance era um homem comum que assumia o lugar de pessoas ameaçadas de morte  disfarçando-se como elas e assumindo todos os riscos até, se possível, deter o possível assassino e resolver o caso; mesmo com minha pouca idade fiquei fascinado pelas nuanças psicológicas do enredo, embora não de forma consciente, como aconteceria hoje   . Um bom tempo após, uma produtora, baseando-se na ideia, cria o seriado, modificando a personagem central, acrescentando outras e lançando uma boa diversão, despretensiosa, mas agradável de se assistir, com algumas cenas de ação e violência, é verdade, mas visando completar o roteiro, e não o contrário como é comum em grande parte das produções atuais.
         Por que estou comentando isso? Procuro ler um livro por mês ao menos, é um vício do qual não consigo e nem pretendo livrar-me. Como aconteceu com muitos outros, as histórias em quadrinhos foram o primeiro passo no desenvolvimento de minha competência  leitora e acho importante que educadores busquem motivar  alunos que estão descobrindo o prazer de ler com tal "ferramenta", como, álias, é feito atualmente. Claro que não se pode parar por ai, é o início de uma jornada longa e enriquecedora; Ziraldo, em "O Menino Quadradinho", retrata magistralmente este processo.
       Mas não abandonei os quadrinhos. Praticamente, não se considera mais que "gibi é coisa de criança". Conceitos dos mais variados podem ser abordados por este tipo de arte, certas vezes forçando-nos a considerar as coisas de uma forma inédita. Sugiro que quem ainda acha que histórias em quadrinhos não podem ser uma literatura de boa qualidade, voltada ao público adulto,  leia dois ingleses (sem desconsiderar muitos outros bons roteristas, inclusive aqui no Brasil) : qualquer coisa escrita por Alan Moore e "As Aventuras de Luther Arkwright", escrita e ilustrada por Brian Talbot.
       Por outro lado, sabendo que eu era um leitor contumaz, uma vizinha deu-me um exemplar de "Dom Casmurro" quando eu tinha nove anos. Foi horrível, detestei de coração aquele livro; por sorte o gosto pela leitura já estava profundamente imbuído em mim. Só muitos anos após vim a redescobrir Machado de Assis, e então já tinha maturidade para apreciar a genialidade do mestre.  
      Em suma: como é de consenso, o ato de ler abrange um escopo vastíssimo; o que percebo, pela minha própria experiência e de outros,  é que não se pode impor nenhum tipo de leitura à criança ou ao jovem nas fases iniciais deste processo, pois corre-se o risco de criar um "não-leitor".

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